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sábado, 17 de julho de 2010

Capítulo 8 - CÉRBERO X PÃ

Feliz e sorridente, Pã segue seu caminho, em busca de descanso, adentrando pela floresta de Trevoz e rapidamente some de vista.
Já a superiora... volta pensativa para o Círculo das Pagãs. Mentalizando sua vingança e inventando alguma desculpa para Madame Erui.
A escuridão da floresta e o barulho de alguns pássaros de vida noturna causam a impressão de que a floresta vive uma noite eterna. Pã caminha pela mata e o ruído das folhas sendo espatifadas pelas suas patas de bode às vezes incomoda. Na pressa de chegar em seu esconderijo, Pã percebe que não está sozinho novamente "Droga, parece que todo mundo quer minha cabeça hoje...." pensou;

O barulho das folhas é cada vez maior... Pã pára derrepente, e o barulho continua...Ele vira-se para trás e percebe uma sombra gigantesca escondendo-se atrás dos troncos imensos.
- Apareça!! Não acredito que você não aprendeu a lição... Sua feiticeira maluca! - Pã falava com as sombras esperando resposta. Tinha certeza que era a superiora, mas ao escutar o uivo que arrepiou-lhe os pêlos espessos das costas, logo mudou de idéia.
- Ahuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu...
As sombras foram se dissipando com mágica, o uivo de Cérbero afastou tudo que havia por perto: bichos peçonhentos, corujas, cobras...tudo se afastava dele como se o mal estivesse ali, gritando o medo e a raiva.
- O que você quer cão??? - Pã olhava para as cabeças de Cérbero e ficava confuso. Não sabia ao certo o que fazer, ficara ipnotizado.

- Meu rei que vê-lo...tenho que levá-lo ao Reino dos Mortos. Mas só a sua cabeça, por enquanto.
- disse Cérbero, praticamente voando para cima de Pã.

- Como assim??!! - griotou Pã, saltando para a copa de uma árvore! - Não precisa levar somente minha cabeça! Posso ir inteiro, depois, é claro.
- Sua ironia me irrita, bode inútel. Saibas que não estás em seu labirinto. Aqui você é fraco e desprotegido. - latiu Cérbero, saltando com as patas apoiadas na árvore que se escondia Pã.

- Minha hora não chegou, Cérbero, não quero atravessar o rio da morte hoje. Seu rei ficará sem mim. Peço que me perdoe. Adeus...

- Ahuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.... - mais um uivo medonho ecoou floresta adentro - a copa da árvore onde estava Pã secou imediatamente com o sopro oriundo do uivo do cão, enquanto uma cabeça uivava, as outras mordiam o tronco da frondosa árvore onde Pã tentava se esconder.
- Cão miserável.... Sei que não posso destruí-lo. Mas também não ficarei aqui para tentar isso.
Como num passe de mágica, Pã saltou para outra árvore, e as cabeças de Cérbero acompanhava-o como se sentissem o cheiro de presa fresca.
A perseguição foi frenética: Pã saltava de árvore em árvore, e Cérbero corria como um raio pelo chão de terra inundada de folhas da floresta escurecida. Assim que Pã avistou a clareira do rio, pulou de uma vez só. Seu rastro era apenas seu cheiro forte de bode que vez ou outra embriagava as mulheres que seduzia... e Cérbero, ficou na margem do rio....olhando a fuga da sua presa.

- Da próxima você não me escapa... - disse uma das cabeças de Cérbero. Enquanto a outra soltava um uivo de cão faminto, que perdera o único alimento da noite.