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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

CAPÍTULO TRÊS


Mas uma noite se passava.
Eu, fechada em meu quarto olhava as folhas das árvores se baterem com a passagem da brisa da noite. Duas amazonas vigiavam minha porta, enquanto escutava ao longe, os uivos de Cérbero. Que coisa estranha? Esse cão é medonho.
A noite demorava pra passar, minha insônia não ajudava nem um pouco. Ouvi passos se aproximando de minha porta, puxei meu lençol até a altura do meu nariz e esperei. As passadas foram ficando mais fortes...e mais fortes. Logo, escutei mais passos, só que de pessoas correndo, o barulho foi ficando fraco. Acabou.
Será que posso dormir agora? Pensei.
- Ariane?
Pelas Deusas! Sussurrei pra mim mesma...Hades...
- O...o que você quer??!!
- Quero você, será que é tão difícil de aceitar?
Ele está possuído! Não tem outra explicação. Seus olhos amarelos se destacam no meu quarto, na penumbra só estava conseguindo ver uma enorme silhueta de Hades.
- Cumpra o que você falou...Tens que cumprir o ritual. – tentava ganhar tempo, inventando alguma coisa, lembrando-o de suas próprias palavras.
- Eu sei. Você está certa.
Ufa.
- Mas preciso de uma coisa.
Como se fosse mágica, Hades tirou meu lençol, minha única proteção...e me fez levitar até ele. Sentia uma lufada quente vindo de seu corpo, parecia que Hades brigava consigo mesmo...
Hades levantou o braço e meu corpo ficou em pé na sua frente, mas eu não sentia os pés no chão, aos poucos ele se aproximou, virei meu rosto pro lado e fechei os olhos, apertei tanto até sentir as lágrimas correndo por minha face branca.
- Fique calma, não vou machucá-la.
Aos poucos, fui abrindo os olhos, mas não conseguia encará-lo. Como uma força sobrenatural, Hades me manteve flutuando em sua frente e com um estalo de dedos me fez olhar pra ele.
- Pelas Deusas... – sussurrei.
E um beijo senti em meus lábios, queimando minha boca virgem, sugando minha alma pura.
Hades me enlaçou com seus braços, onde cai desfalecida. Com um movimento suave ele me pôs na cama, flutuando o lençol cobriu meu corpo...dormi como uma ninfa, iluminada e sem culpa, sem sonhos e sem medo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

CAPÍTULO II - FINAL DO CAPÍTULO.


Cão selvagem, pensei. E um uivo ressoou pelo jardim de Hades assustando pássaros que dormiam na copa de uma árvore frondosa à minha frente. Olhei pra cima, o sol sumia na bruma densa. Parei de pensar, tinha que agir!
Como era incrível a sensação de estar naquele lugar. Ao mesmo tempo que não queria sentir a presença de Hades, parecia que quando ele saía de perto de mim o meu equilíbrio sumia com ele. Ficava zonza, sem rumo. Mas...Por quê?!
- É tão simples minha querida Ariane, não percebes que seu coração está querendo tudo isso?
Uma voz fina e doce falava comigo, arrepiada, olhava para todos os lados e não via ninguém.
- Estou aqui em cima. Junto com os pássaros!
- Que...quem é você?
- Sou Pã! Seu único amigo por aqui.
Continuei calada, tentando enxergar o ser que falava comigo. Mas como um raio, um vulto passou por minha cabeça, fechei os olhos assustada e quando tomei coragem para abri-los, lá estava ele: Pã.
- Outro não!
- Hahahahahahahahahahahaahahahahahahahahahaha – seu riso era ensurdecedor – deixe de ser tola! Não farei nada com a protegida de Hades, não sou idiota.
- Então não é meu amigo, como havia dito.
Pã segurou firmemente meu rosto, e disse:
- Sou seu amigo sim, Ariane. Mas não sou louco. Já tenho meus interesses e não preciso de confusão. Agora se quiseres ficar sozinha, não sejas por isso. Vou embora.
Num salto, Pã subiu novamente na copa da árvore na minha frente, caí em prantos como uma criança desprotegida e perdida.
Droga! Minha única chance foi embora, agora tenho que planejar sozinha minha fuga, o quanto antes! Chorava ajoelhada na grama fofa do caminho que levava ao palácio de Hades.
Mas um grito me fez engolir o choro: - Ariane! Apenas uma sugestão! NÃO PENSE!
E Pã sumiu por entre as árvores. Uma música suave ficava para trás, fazendo-me companhia até o final dos meus passos em direção ao palácio.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

CAPÍTULO II - 3 ª continuação.


- Por que está fazendo isso comigo? Por que não me deixa ir embora? Você tem tantas mulheres aqui, por que eu pra fazer um filho?
- Você ainda não entendeu? Sua pureza é única! És pagã, és virgem e tens sangue real. Tudo o que eu preciso pra que meu feitiço saia conforme as inscrições sagradas.
Do quê Hades está falando agora?
- Quero dizer que você faz parte da realeza, tens sangue real! Sua mestra nunca lhe disse isso?
- Eu nem sei como fui parar no Ciclo das Pagãs! Como poderia saber disso?
Estava tão surpresa que não conseguia fechar o quebra-cabeça que estava espalhado dentro da minha mente...
- Sei... Sua mente está confusa. Muitas palavras deixaram de ser ditas a você enquanto estudava no Ciclo das Pagãs. Há anos tento achar alguém com seus dotes, para compor um ritual de magia. Não pense que você foi a primeira a passar por minhas mãos, pois não foi. Mas nenhuma chegou onde você está agora.
- Tenho que ter orgulho disso?
Mas uma vez um tapa de vento foi sentido por todos os poros da minha face.
- Não sejas insolente!
Olhava para o chão fixamente, e para lá fiquei olhando.
- Nosso filho vai nascer prematuro, mas isso não importa. O importante que ele vai fazer eu dominar todos os cantos dessa terra e desse mar.
- Prematuro? Como você tem tanta segurança assim, falando de um ato que nem aconteceu ainda? Eu não quero você! Sou uma menina! Será que não vês!!!!!!????
- Está na idade certa para mim. E como Petra já disse, sua língua não me és importante. Quer ficar sem ela?
Silêncio.
- Ótimo. Amanhã eu mesmo vou acompanhá-la na sua caminhada matinal. Fique preparada.
Continuava olhando para o chão. Ao ouvir passos pesados e firmes sumindo por entre o jardim, levantei os olhos e só via a silhueta de Hades e seu cão Cérbero.
- Pelas Deusas que me guiam. O que vou fazer agora? Tenho que fugir daqui o mais rápido possível. Mas...não posso voltar para o Ciclo das Pagãs, senão sou novamente entregue a Hades. O que faço?
E uma voz do além, pesada e sem piedade me responde:
- Não faça nada Ariane, siga o seu destino.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A OFERENDA - CAP. II - 2ª Continuação.



Em meio à uma neblina densa, corria desesperadamente. Meus pés eram machucados com os pedregulhos que havia no caminho de volta ao Ciclo das Pagãs, não parava de correr. Minha respiração era muito mais que ofegante, o suor que deslizava em minha testa caía sobre meus olhos fazendo-os arder.
Um voz do meio do nada começou a chamar meu nome:
- Ariane, Ariane! A – R – I – A – N – E!!!!!
Quase morro com o grito de Petra, uma das Amazonas que serviam ao Deus Hades.
- O que está acontecendo? Não, de novo não! Eu não agüento mais isso!!
Arrancada dos meus sonhos por Petra, fui obrigada a sair do quarto novamente. Foi aí que percebi que tinha adormecido profundamente e que estava há muito tempo ali no quarto. Arrumei-me, sob a orientação de Petra, que na verdade jogou as roupas que devia vestir no meu rosto e saímos dos aposentos. Sentia um calor insuportável, que não fazia idéia de onde vinha, arrisquei a fazer perguntas enquanto seguia Petra.
- Que calor é esse? Desculpe-me mas, onde estamos???!!
Petra levantou a sobrancelha em sinal de nojo mesmo. Não queria dirigir-me a palavra nem por decreto. Insisti.
- Por favor. Não sei onde estou, só sei que Hades quer ter-me como sua parideira exclusiva, me ajude!!! Por favor...
- Cale-se! Criatura bestial, você não sabe a honra que é ser uma esposa de Hades! E ainda parir um filho dele! Nunca mais diga isso. Perto de ninguém, entendeu? Hades não precisa da sua língua, precisa do seu útero. Fui clara??? Minha espada vai adorar arrancar tua língua tagarela à primeira ordem dele.
-Por favor, me perdoe.
Cabisbaixa, segui Petra até um jardim imenso, percebi que as Seguidoras de Hades não eram apenas suas servas, eram muito mais que isso! Melhor foi ficar em silêncio e falar quando me dessem o direito a fala.
Olhei para os lados, vi muitas pedras, árvores e o dia naquele lugar era estranho, o sol não brilhava como deveria. Uma névoa cobria tudo e, conforme íamos andando, as coisas apareciam. Será que estava em um buraco? Pensei.
- Você está no Submundo.
Estremeci.
Olhei para trás e lá estava ele, Hades e seu cão, aquela criatura horrenda ficava ao seu lado como se fosse um guarda, um protetor.
- Petra, pode ir. Deixe-me com Ariane, a sós.
- Sim meu amo.
Rapidamente, Petra sumiu pela névoa que aos poucos ia ficando menos densa, fazendo aparecer copas de árvores bem altas, mas o sol continuava enevoado, deixando o lugar quase que sem luz.
- Posso acompanhá-la?
Fiquei intrigada.
- Acompanhar-me?
- Sim, é seu primeiro passeio matinal, gostaria que fosse comigo. E não com Petra.
- Eu não sabia que estava passeando – tentava manter distância, mas Hades conseguia me embriagar.

Nunca tinha visto um homem de tão perto assim. O Ciclo das Pagãs era uma escola de moças, o único homem que a gente tinha contato, e só de vista, era o mensageiro real.
- Não tenha medo, não vou fazer-lhe nenhum mal.
Hades era tão grande e musculoso que seu corpo parecia uma rocha. E eu, estava sentindo coisas que não entendia quando ele se aproximava de mim. Seus olhos fixavam nos meus olhos e nada o fazia mudar o rumo do meu olhar, deixando-me sem chão, sem ação. Eu não queria estar ali, mas ao mesmo tempo, parecia que eu queria ver como tudo isso iria acabar.